
Luana Godoy
31 de jul. de 2024
#4 A corrida cura
Uma nova vida exige uma nova pessoa
Tem uma frase de Albert Einstein que diz assim: “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. De fato, também não é possível alcançar uma nova vida, sendo a mesma pessoa e fazendo as mesmas coisas. Para uma verdadeira mudança é necessário se tornar uma pessoa com pensamentos e hábitos diferentes.
Mas esse News é sobre a corrida. E tudo que ela pode curar e transformar dentro e fora de você. Quando comecei a correr, nem imaginava, mas estava prestes a mudar o rumo de toda a minha história. Principalmente, pelas coisas que ela causaria em meu corpo e em minha mente, que afetariam diretamente minhas decisões e projetos de vida. A corrida foi a ferramenta que causou em mim esse algo novo, que abriu diversas portas.
Sabe aquela energia que você sente que precisa usar? Aquela vontade de gritar bem alto, em cima de um morro? Sabe aquela vontade de realmente fazer alguma diferença na sua família, na sua casa, no seu trabalho, no mundo, nos lugares em que você passa? É como se a corrida fosse uma resposta a tudo isso. Ou, para alguns, um caminho que te leva a encontrar a sua resposta. Mas só quem se aventura nela, algum dia, vai entender o que eu quero dizer.
A corrida muda você. Inicia na mente, depois no seu corpo. Depois continua mudando a mente, e logo, seu corpo estará adaptado para uma nova vida.
A mudança começa na mente, pela disciplina. Para correr, ou fazer qualquer tipo de atividade física, é necessário ter a disciplina. Disciplina para incluir e manter na rotina essa nova atividade intensa, que vai exigir de você muita força e motivação, todos os dias. Não sei ao certo o porquê, mas a corrida te torna muito mais disciplinado.
Imagine-se, agora, correndo. Passo por passo, em uma estrada vazia, com árvores verdes, e a luz do sol aquecendo sua pele.
Durante a corrida, você percebe uma grande mudança nos níveis de oxigênio que entram no corpo. O cansaço exige de você uma respiração mais acelerada. O corpo está esquentando muito rápido. O ar entra frio e sai quente de suas narinas. E você, de repente, começa a sentir o suor escorrendo por baixo do cabelo e pelo pescoço, depois pelas laterais do seu rosto. Você está cansado.
O seu corpo percebe que tem algo muito diferente acontecendo, e tenta te dar motivos para você parar ou diminuir, caminhar. Para que ficar sofrendo? É horrível. Você só quer que termine logo. Mas você se propôs a correr cinco quilômetros, e olhando no relógio verificou que ainda não fechou dois quilômetros percorridos, na verdade. Você precisa tomar uma decisão, desistir pelos argumentos lógicos da sua mente- porque tem certeza que não tem a estrutura e a força de um corredor de verdade, e acha que não vai conseguir - ou continuar- porque você sabe qual é o seu objetivo e ele ainda não foi alcançado. Nesse momento você se diz não. Decide não parar porque você precisa passar por isso para alcançar a linha de chegada. E pelos vários outros motivos que te fizeram a começar a correr. Você continua correndo.
De repente, você sente que está chegando ao seu limite. E começa a sentir uma dor na lateral da costela. Agora você tem um motivo justo para interromper sua corrida. Considera parar e começar a caminhar e olha no relógio. Está marcando três quilômetros e seiscentos metros. Já passou da metade. “Seria justo parar agora? Será que sou tão fraco assim?” Você pensa. Mas a dor na lateral está aumentando, e você sabe que é por causa do esforço. Você diz não, outra vez. Não admite parar agora. Você é forte, e tem um objetivo. “Foca no objetivo. Eu consigo.” Continua correndo.
Você percebe que está com sede, e não pode tomar água agora. Parar não faria sentido. Aguenta um pouco mais. Olha no relógio, já chegou aos quatro quilômetros. Sua mente te diz que você não aguenta mais. Seu corpo te dá mais motivos para parar. Tudo dói. Falta tão pouco. De repente uma subida. Tudo te irrita, o som dos passos, o cheiro da rua, as outras pessoas correndo e conversando próximo. Você sente raiva. Olha no relógio e percebe que correu só mais duzentos metros. O último quilômetro não termina. E você se vê quase totalmente sem fôlego no final da subida. Mas lembra que está quase acabando. Então começa a ficar feliz.
De repente você avista o seu ponto de chegada. Está quase. Faltam só quatrocentos metros agora. Você é forte e começa a sentir um grande alívio e orgulho por ter chegado até aqui sem parar. A chegada se aproxima. Você acelera nos últimos metros para terminar logo.
Missão cumprida! Seu corpo treme, fraco, fervendo, e começa a esfriar rápido, a roupa molhada mas você sente orgulho de você. A felicidade toma conta e a dor passa. Você nem lembra mais da dor. Você conseguiu!
Contei essa história para te mostrar como a corrida pode te curar.
Se você procura mais foco e determinação para alcançar seus objetivos, comece a correr.
Se sente que precisa ser mais organizado com suas tarefas, projetos e sonhos, que te falta um planejamento, comece a correr.
Se busca equilíbrio emocional e auto controle, se sente que precisa melhorar nestes aspectos, comece a correr.
Se te falta autoconfiança, acreditar mais em você e em seu potencial, comece a correr.
Se quer se sentir mais forte, física, emocional e psicologicamente, comece a correr.
Se deseja viver mais o presente, aproveitar mais a vida, e sorrir mais, comece a correr.
Se quer conhecer novos lugares incríveis e novas pessoas, amigos que te colocam pra cima, comece a correr.
Seu corpo não aceita mais aquela alimentação de antes. Você sabe o que não faz bem a você. Se quer comer melhor, emagrecer e melhorar sua autoestima, comece a correr.
Nenhum obstáculo é tão grande ou nenhum sonho é tão distante. Você sabe que consegue, independentemente das circunstâncias. Você deixa de ser vítima da vida e passa a ser protagonista. Sua vida começa a ganhar velocidade.
A corrida quebra padrões. Aquilo que você pensava ser impossível para você, você descobre que é muito bom e aquilo que em você acreditava ser bom, descobre que não é tanto assim.
“O bem-estar que a atividade física traz e a tranquilidade que toma conta do corredor só acontecem, de fato, no fim da corrida.” -Drauzio Varela
Enquanto corre você vai pensar: não há o que justifique alguém passar pelo que estou passando. Mas ao final você vai querer tudo isso de novo. Se torna um vício porque você se acostuma a se sentir bem e ter resultados visíveis todos os dias.
Com amor,
Luana Godoy
